Renasce o Amor

Porque fizestes renascer o amor,
Num peito já tão amargurado.
De tanto sofrer de amor,
Meu coração está magoado.
Por uma existência de lutas e fracassos,
De tanto amar estou virando trapo,
Sempre sem nunca ter sido compreendido.
A minha vida já não tem mais sentido,
Porque tu eras a minha única esperança,
Fingiste amar-me,
E eu, como criança,
Agradecido com belo presente,
Pus-me a sonhar feliz sorridente.
Mas como o sonho não é realidade,
Agora, sinto que foi tudo ilusão,
Por que brincar com um pobre coração?
Se tu sabias que irias fazê-lo sofrer.
Tu te divertes, com meu padecer,
Alegras-te com sofrimento meu?
Se for assim até ficarei feliz,
Por saber que agindo assim, tu tens felicidade,
E em troca do meu amor, tu me devolves maldade.
VIVALDO TERRES – ITAJAÍ – SC

Epifânia Abstrata

O palco é o habitat
Dos artistas
***
Ah as luzes
As luzes da ribalta
A ciclorama
Os aplausos
Os gritos
Os vivas efusivos
E a saudação curvilíneo
Dos artistas ao público
Que pede estridente
Um bis
Ao ver descerrar a cortina
***
Eu?
Eu fico na porta de entra
Uniformizado estático
A espera por tudo que não vem
***
O palco é o habitat natural
De todos os artistas
O microfono
Os alto-falantes
E voz estridente
Que retumba para o além
Da infinitude cósmica
***
Eu?
Eu esqueço o texto
***
Eu?
Eu destoa de tudo
E de todos
Com a voz embargada
Olhando para a público sentado
Que espera e espera
Por aquilo que não vem
E que nunca virá
***
Eu?
Sou eu tentando ser maior
Que a censura cibernética
Facebookiana
E não consigo
***
Eu?
Eu admiro extasiado
A artista no palco
A minha vaporosa negra musa
Distante de tudo
E de todos
***
Eu?
Eu tomo a pena
E o mata-borrão
A hialina folha em branco
***
Eu?
Tento compor um poema
Com poesia abstrata
E não consigo
***
Eu?
Eu martelo o teclado
Com fúria titânica
Tento compor uma prosa simbolista
E não consigo
***
Eu?
Tento me exilar
Na arte absoluta
E não consigo
***
Eu?
Tento esquecer de mim mesmo
Mas não consigo

Tantos versos

E foram tantos os versos que escrevi,
que quando dei por mim
eu estava tropeçando nas letras falíveis,
nas palavras sem sentido,
nos versos descabidos,
no antagonismo desesperado
deste amor tão superado.
E foram tantos versos que escrevi
no sentido oposto deste amor,
que hoje entreolho tuas feições
a ponto de me questionar,
porque não os fiz tão diretos,
não me fiz entender de supetão.
Foram tantos os versos que escrevi
que nem sei se você os leu
ou se chegou a marejar-lhe os olhos
quando num átimo de mim
você pode me perceber em ti.