João Cabral de Melo Neto nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 9 de janeiro de 1920. Filho de Luís Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro Leão Cabral de Melo, era irmão do historiador Evaldo Cabral de Melo e primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freyre.
João Cabral passou sua infância entre os engenhos da família nas cidades de São Loureço da Mata e Moreno. Estudou no Colégio Marista, no Recife. Amante da leitura lia tudo o que tinha acesso no colégio e na casa da avó.
Em 1941, João Cabral participou do Primeiro Congresso de Poesia do Recife lendo o opúsculo “Considerações sobre o Poeta Dormindo”.
Em 1942, o escritor publicou sua primeira coletânea de poemas com o livro “Pedra do Sono”. Depois de se tornar amigo do poeta Joaquim Cardoso e do pintor Vicente do Rego Monteiro, mudou-se para o Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, prestou concurso para o funcionalismo público.
Durante os anos de 1943 e 1944, trabalhou no Departamento de Arregimentação e Seleção de Pessoal do Rio de Janeiro. Em 1945, publicou seu segundo livro – O Engenheiro, (custeado pelo empresário e poeta Augusto Frederico Schmidt).
Realizou seu segundo concurso público e, em 1947, ingressou na carreira diplomática passando a viver em várias cidades do mundo como Barcelona, Londres, Sevilha, Marselha, Genebra, Berna, Assunção, Dacar, entre outras.
Cronologicamente, João Cabral situa-se entre os poetas da Geração de 45, mas trilhou caminhos próprios. Seus primeiros livros apresentam uma poesia hermética, ou seja, de difícil compreensão.
Em Pedra do Sono (1942), sua obra inaugural, apresenta uma inclinação para a objetividade embora predomine aspectos surrealistas.
Pedra do Sono
Meus olhos têm telescópios
Espiando a rua.
Espiando a alma
Longe de mim mil metros.
Mulheres vão e vêm nadando
Em rios invisíveis.
Automóveis como peixes cegos
Compõem minhas visões mecânicas.
Há 20 anos não digo a palavra
Que sempre espero de mim:
Ficarei indefinidamente contemplando
Meu retrato eu morto.
Em seguida, João Cabral introduziu em seus versos o rigor semântico, que mostra a luta do poeta com a estética da poesia para encontrar a expressão exata e precisa.
A partir de Cão Sem Plumas (1950) João Cabral passa a abordar temas sociais. Os livros O Rio (1954) e Duas Águas (1956) (onde aparece Morte e Vida Severina) revelam motivos regionais.
Morte e Vida Severina, obra mais popular de João Cabral, é um auto de Natal do folclore pernambucano. Numa terceira etapa, João Cabral desvencilha o poema de todo e qualquer artifício, sua poesia é desenvolvida mediante a preocupação com os aspectos formais da poesia.
Nesse período aparecem obras-primas como Uma Faca só Lâmina, Terceira Feira e A Educação Pela Pedra.
Obras de João Cabral de Melo Neto
Pedra do Sono, 1942
O Engenheiro, 1945
Psicologia da Composição, 1947
O Cão Sem Plumas, 1950
O Rio, 1954
Morte e Vida Severina, 1956
Paisagens com Figuras, 1956
Uma Faca Só Lâmina, 1956
Quaderna, 1960
Dois Parlamentos, 1960
Terceira Feira, 1961
Poemas Escolhidos, 1963
A Educação Pela Pedra, 1966
Museu de Tudo, 1975
A Escola das Facas, 1980
Poesia Crítica, 1982
Auto do Frade, 1984
Agrestes, 1985
O Crime na Calle Relator, 1987
Sevilha Andando, 1989
As obras literárias de João Cabral de Melo Neto são marcadas pelo uso da metalinguagem (muitos dos seus trabalhos falam sobre a própria criação literária). Seus poemas também contêm imagens surrealistas e influência da cultura popular.
Em termos de formato, João Cabral primou pela rigidez formal com rimas fixas, ritmo e versos rimados.
Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras para a cadeira n.º 37, tomando posse em 6 de maio de 1969.
João Cabral de Melo Neto foi casado com Stella Maria Barbosa de Oliveira, com quem teve cinco filhos. Casou pela segunda vez com a poetisa Marly de Oliveira. Em 1992, começou a sofrer de cegueira progressiva, doença que o levou à depressão.
João Cabral de Melo Neto faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de outubro de 1999, vítima de ataque cardíaco.
Fonte: ebiografia.com