O tempo

O tempo urge e eu não estou contente
De repente tudo está por fazer
E eu procuro me apressar,
Mas apesar de tudo, ainda estou aqui.
Não me iludo, não te iludo
Nada vai mudar
As mágoas ficarão no mesmo lugar.
Só promessas, só conversas
É o que restará na memória
Da longa história de nós dois,
Tudo, enfim, já foi dito
E redito, sem porém, nada explicar.
As palavras ferem, podem influenciar
Qualquer decisão que pese
Qualquer caminho a trilhar.
As palavras ferem,
Até a alma dilacerar
E o que ficou para trás
Só quem sofreu pode lembrar.
Adoecer, enlouquecer
Até o coração se aquietar,
Evoluir, prosseguir
Fazer da dor meu caminhar,
Seguir em frente, lentamente
E não olhar para trás,
Seguir a fim de ser feliz
Querer por fim se aquietar.
E quando então, meu coração
Com tudo isso se acostumar
Talvez, então, pedirei perdão
Pelo meu jeito de te amar.

Sem título

Este aroma de café que acabou de ser feito
É o tom perfeito para recordações.
É de boas lembranças que eu sobrevivo,
Sem nenhum aviso e muitos arranhões.
.
De alma escancarada e tanta palidez,
Me recordo da vez que descobri seu sorriso.
Aquela troca de olhar e a conversa fiada,
Fui feliz na piada e tirei seu vestido.
.
O toque na pele e a sua boca molhada,
Não queria mais nada além do momento.
E de tanta paixão eu cheguei a supor,
Seria isso o amor ou brincadeira do tempo?
.
E esse sol escaldante que anuncia o verão,
nossas roupas no chão e o seu corpo perfeito.
Faço promessas que jamais cumprirei,

Sou um fora da lei, sou um pobre sujeito.

Boa tarde

E o tempo mudou tão de repente
que não tive tempo para me preparar,
e a dor que eu sinto, mas que ninguém sente,
começa na alma para no corpo se espalhar.

E o tempo mudou sem nenhum aviso,
nem mesmo um amigo para me alertar.
No peito um talho, um corte preciso,
na mente, memórias que começam a falhar.

E o tempo mudou do azul para o cinza,
ao longe montanhas que não consigo alcançar,
o vento que uiva já não é a mesma brisa
que os meus cabelos vinha acariciar.

O tempo mudou um tanto sorrateiro,
da minha agonia veio zombar.
Eu, arrogante, me julgava o primeiro,
e hoje não tenho do que me orgulhar.

O tempo mudou como era sabido,
somente um tolo para não acreditar,
que o tempo passado é tempo perdido,
e o que ainda me resta, só tempo dirá…