Boa tarde

E o tempo mudou tão de repente
que não tive tempo para me preparar,
e a dor que eu sinto, mas que ninguém sente,
começa na alma para no corpo se espalhar.

E o tempo mudou sem nenhum aviso,
nem mesmo um amigo para me alertar.
No peito um talho, um corte preciso,
na mente, memórias que começam a falhar.

E o tempo mudou do azul para o cinza,
ao longe montanhas que não consigo alcançar,
o vento que uiva já não é a mesma brisa
que os meus cabelos vinha acariciar.

O tempo mudou um tanto sorrateiro,
da minha agonia veio zombar.
Eu, arrogante, me julgava o primeiro,
e hoje não tenho do que me orgulhar.

O tempo mudou como era sabido,
somente um tolo para não acreditar,
que o tempo passado é tempo perdido,
e o que ainda me resta, só tempo dirá…

Não quero

Não quero ter razão sobre nada,
Só quero a inquietação do vento,
A morosidade do tempo
E uma boa conversa fiada.
Prefiro ter um amor em vista,
Do que viver no vazio
De uma noite de frio
Em plena Avenida Paulista.
No amor me acostumei com os desencontros,
Nada de ser tudo certinho,
Muito errei pelo caminho,
Nem tudo me desceu tão redondo.
Quero numa tarde de outono
Esquecer dos problemas
Escrever meus tolos poemas
Até que eu pegue no sono.
Por fim, quero as folhas e as flores
De um jardim colorido
E a emoção de um sorriso
Contido em muitos amores.

Se eu soubesse

Ah se eu soubesse levar
A vida de uma forma mais leve
E quando perdesse um amor,
Dissesse, vá com Deus e até breve.
Ah se eu pudesse entender
O que na vida tanto me entristece,
Eu diria à Deus, nosso Senhor,
Atenda de agrado minha prece.
Eu tenho muito o que aprender,
A ser ao outro um sapato que sirva,
Que não aperte demais os seus pés,
Que não provoque doloridas feridas.
Todo amor que não transborda,
Não alimenta e também não aquece,
Faz da luz que um dia brilhou
Se apagar enquanto a alma escurece.