Um soneto

A tanto custo eu busco conquistar,
Sem recursos, sem triunfos, sempre a penar,
Com a esperança que me vejas radiante.
Por quem clama essa alma abençoada,
Que teima deixar-me em profundo estupor,
Retira minhas vestes, abala meu pudor,
Ri de minha vida já tão banalizada.
Diz em alto tom que nada sou para ti,
Que tenho que sofrer, tenho que partir,
E que eu carregue este peso na consciência.
Decerto, como sempre, obedecerei,
A você, mulher que mais amei,
Nesta vida de percalços e turbulência.

Quando

Quando estou desligado
num papel de rascunho,
caneta em punho,
é teu nome que escrevo
distraidamente…

Quando cantarolo uma canção,
cujo a letra esqueço,
outros versos invento
e o teu nome murmuro
delicadamente….

Quando acordo a noite
no meio da madrugada
e te vejo deitada
os teus cabelos eu cheiro
suavemente….

Tudo me leva a crer
que eu só consigo viver
se a tenho por perto.
Tudo me lembra você
só me resta torcer
para que sempre dê certo

Bom dia

O que te mantem tão dispersa,
Tão centrada e inquieta
Que não olhas para mim?
O que tanto te incomoda,
Te alerta e te transforma
Que não sobra tempo para mim?

Queria estar na canção que tanto ouves,
No compartimento que nunca coube
Nossos corpos ao mesmo tempo.
Quero estar em ti a todo instante,
Riso frouxo, olhar radiante
Morar em teus pensamentos.

Ah se fosse tudo tão diferente,
Se você me olhasse atentamente
A ponto de me descobrir em ti.
Eu surgiria de trás das sombras,
E o meu amor avançando em ondas
Cairia manso a te cobrir.

Queria tanto falar contigo,
E te mostrar o quanto eu preciso
Fazer parte da tua história.
Mas tenho medo que a música cesse,
Que a solidão, para mim, regresse
E tu me apagues da memória.